quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Vencedores da Primeira Fase do Concurso Nacional de Leitura

Decorreu na nossa escola, no dia 11 de janeiro, pelas 15 horas, a prova de apuramento dos alunos que irão participar na fase distrital do Concurso Nacional de Leitura.Para participar nesta competição os alunos do 3º Ciclo leram a obra Vamos comprar um poeta de Afonso Cruz, e os alunos do secundário leram Jesus Cristo bebia cerveja, também do mesmo autor.
Foram muitos os leitores inscritos nesta fase do Concurso.
O sinal anuncia os vencedores:
no terceiro ciclo - Ema Cabete Caldeira do 7ºA, Tiago Oliveira Gomes do 9ºC e Vicente Nuno de Matos e Cunha do 7ºC;
no secundário - Ana Margarida Torres e Raquel Gonçalves, ambas do 12ºC e Gonçalo Santos Matos do 10ºD.
Os nossos parabéns a todos e boa sorte para a próxima etapa!
Vicente Cunha
Ema Cabete
Tiago Gomes






Raquel Gonçalves
Gonçalo Matos
Ana Margarida Torres



Maria Moço 7ºE
Filipa Miranda 7ºA



Voluntariado no Quénia - Entrevista a Ana Patrícia Reis


Nome : Ana Patrícia Cruz Marques dos Reis
Idade : 26 anos
Passatempos : Cantar, dançar, ver filmes e séries, escrever, fotografia, ler, colorir, estar com a família e os amigos
Habilitações Literárias: Licenciatura em Comunicação Social e Educação Multimédia




Quando surgiu a ideia de fazer voluntariado?
A ideia surgiu de uma entrevista que vi, há alguns anos, com a Angelina Jolie, que é uma pessoa que , enquanto Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas, passei a admirar imenso, sobretudo pelo trabalho que desenvolve junto dos refugiados. Durante a entrevista em questão, o jornalista questiona-a sobre a história que mais a comoveu nas suas visitas aos campos de refugiados, e foi impossível ficar indiferente ao que ela relatou – o que ela disse mexeu comigo de tal forma que fez com que, juntamente com duas amigas, me interessasse por fazer voluntariado local, na minha cidade, durante o período em que estudava na Universidade. Como a experiência foi muito positiva, comecei a ficar entusiasmada e foi então que surgiu a ideia de que poderia tentar o voluntariado internacional. Mas existiram também outros motivos que me levaram a querer fazer voluntariado. Sempre tive a ideia de que, se um dia formasse uma família, haveria certos valores que lhes queria transmitir, como o dar valor ao que se tem, o espírito de entre-ajuda, a tolerância e compreensão para com os outros e a generosidade. Ao pensar de que forma lhes poderia transmitir isso um dia – e porque acredito que as crianças aprendem mais com um exemplo do que com ensinamentos teóricos – decidi que uma boa maneira para o fazer, era eu própria pôr-me à prova, praticar esses sentimentos, para que um dia lhes pudesse contar, na primeira pessoa, e por experiência própria, tudo o que aprendi. Um terceiro motivo, foi o facto de achar que existem certas coisas que têm de ser vividas enquanto ainda somos jovens - quando ainda não temos encargos ou responsabilidades de maior - e pelas quais todos nós deveríamos passar um dia. A ideia de que só as notas da faculdade é que contam na hora de arranjar um emprego está completamente ultrapassada nos dias de hoje. Ter boas notas e uma licenciatura continua a ser importante, sim, mas tão ou mais importante é saber se a pessoa é dinâmica e pró-ativa. Hoje em dia, as empresas já não olham tanto para os resultados escolares, mas sim se a pessoa que vão empregar já viajou, já trabalhou, ou fez voluntariado, por exemplo. Querem saber se a pessoa que vão contratar consegue lidar com pressão, problemas inesperados, pessoas complicadas, e nenhuma dessas coisas se aprende na escola sentado a uma secretária. Aprende-se na viagem que se fez sozinho, onde nos perdemos pelo caminho e tivemos de nos desenrascar. Aprende-se com os colegas do trabalho de part-time que falam mal de nós nas costas, mas que temos de continuar a suportar porque precisamos do dinheiro no final do mês. Aprendemos com o voluntariado num lar de idosos para percebermos que todo o ser humano tem valor e merece o nosso respeito, e que podemos aprender muito com as experiências e os erros dos outros. Aprendemos no interrail que fazemos, quando temos de falar inglês para pedir o almoço num restaurante, e temos de nos fazer perceber junto do empregado que nos atende, mesmo que cometamos erros gramaticais na nossa conversação com ele, no workshop de culinária onde entramos sem sequer sabermos estrelar um ovo e saímos a saber fazer lombo assado no forno. É preciso arregaçar as mangas e ir à luta. Procurar saber, procurar fazer, arriscar. Mostrar-se interessado em aprender, em saber sempre mais, fazer sempre mais e melhor. Ser dinâmico e pró-ativo.


Por que razão a escolha do Quénia?
Por duas razões muito simples. Primeiro, porque é muitíssimo complicado encontrar um projeto com o qual nos identifiquemos e que seja fidedigno, sem que tenhamos de pagar para participar, sendo que normalmente os valores praticados, não só são absurdos, como não garantem  necessariamente algum tipo de ajudas para o voluntário. Nunca compreendi a ideia de sermos cobrados por ajudar os outros, já que também ninguém nos paga para isso – daí chamar-se voluntariado. Segundo, porque foi, como se costuma dizer, a “cereja no topo do bolo”, uma vez que o Quénia sempre foi a minha viagem de sonho. Assim que encontrei um projeto com o qual me identifiquei e que preenchia os requisitos que queria, não hesitei. Deste modo, pude fazer voluntariado e ainda explorar e conhecer um pouco o país em questão.


Como foi a experiência?

Adorei! Não dá sequer para descrever. Acho que, e de uma maneira geral, temos uma visão bastante distorcida e ultrapassada de como é a vida em África, seja pelo lado positivo ou negativo. Se, por um lado, acreditamos que os negros são um povo preguiçoso, por outro temos uma visão muito romanceada do que podemos fazer para os ajudar e da forma como eles recebem e lidam com a nossa ajuda. Antes de ir para o Quénia – e estamos a falar de uma antiga colónia inglesa – tive dois amigos, um dos quais já havia estado em África a fazer voluntariado como médico, que me avisou logo sobre esta tal visão romanceada das coisas. Existem muitos interesses e jogos de bastidores. Da mesma maneira que pude comprovar que a ideia de que os negros são um povo preguiçoso, não é necessariamente verdade – embora, claro, haja exceções – também é verdade que o nosso poder de ajudar não é ilimitado e é muitas vezes incompreendido, mal interpretado ou tido como garantido. No Quénia, apercebi-me – por situações que vivi no dia-a-dia e por conversas que tive com moradores locais – que os negros se ressentem muito em relação ao povo branco – por motivos óbvios do passado – e que também eles têm uma visão distorcida de nós. Independentemente disto, foi o local, até hoje, onde mais gostei de estar, e espero um dia, quiçá num futuro próximo, regressar. Mesmo com os aspetos menos positivos, o balanço desta experiência de voluntariado no Quénia foi muito positivo, e em nada me desiludiu, pelo contrário, surpreendeu-me a cada instante.




Quanto tempo ficou lá?
Fiquei três meses.


Como eram a alimentação e o alojamento? 
Os voluntários tinham direito, tal como as crianças da casa de acolhimento, a pelo menos três refeições por dia: pequeno-almoço, almoço e jantar. A comida era muito à base de hidratos de carbono, vegetais e fruta: arroz, esparguete, batata, feijão, cenoura, couve, lentilhas, ananás e banana. Ao pequeno-almoço, as crianças comiam sempre quatro fatias de pão de forma, com margarina, cada um, e porish - bebida tradicional inglesa, espécie de chá com leite. Os voluntários também. Uma vez por semana tinham direito a comer um ovo, para daí obterem proteínas. Os voluntários, por serem adultos, tinham direito a dois ovos. Uma vez por outra, comíamos carne, mas era raro. Sopa e peixe não havia. Tudo o que fosse snacks, almoçar ou jantar fora, ou se por ventura quiséssemos cozinhar algo diferente, teríamos de ser nós, com o nosso dinheiro pessoal, a comprar. Por vezes, para além de comprarmos para nós, também comprávamos coisas para o pequeno-almoço ou jantar para dar aos miúdos, para que eles provassem algo diferente, já que a ementa era quase sempre a mesma todos os dias: uns dias comprávamos chocolate em pó para o leite, ao pequeno-almoço; outros dias comprávamos bolo, ou fazíamos panquecas; chegámos também a comprar pizza. Foi a primeira vez que comeram, e adoraram, claro. Mas é preciso ir com uma mente bastante aberta e uma grande capacidade de aceitação da cultura, dos hábitos e das possibilidades limitadas do local para onde vamos. As condições em que as refeições na casa de acolhimento das crianças eram confecionadas eram muito precárias. Alguém que queira fazer voluntariado, já tem de ir com noção do local para onde vai. Quanto às habitações, os voluntários tinham direito a um quarto com cama individual na casa de acolhimento, gratuitamente. O quarto poderia ser partilhado com outro voluntário, do mesmo sexo, dependendo do número de voluntários na casa. Quando cheguei, por exemplo, dividi quarto com uma rapariga francesa, mas ela ficou apenas um mês. Fiquei o mês seguinte num quarto sozinha, sendo que no terceiro mês da minha estadia, já tive de dividir o quarto novamente, desta vez com uma rapariga da Argentina. Com a rapariga francesa, as coisas eram complicadas. O quarto era pequeno, e não nos dávamos muito bem, mas com a rapariga da Argentina, tudo correu muito bem. Novamente, é preciso ir de mente aberta, e estar disposto a muita coisa. Já os banhos, eram feitos com água do poço. Cada voluntário tinha direito a um balde de água por dia, para tomar banho: aproximadamente 7 litros. Curiosamente, não só é mais do que suficiente,  como me foi muito fácil a adaptação aos banhos, coisa que inicialmente achava impossível.


O que mais a fazia feliz?
Poder estar com as crianças e proporcionar-lhes alguns momentos ou coisas que, embora num país como o nosso possam ser considerados “banais”, nas circunstâncias em questão, eram de uma importância muito grande. Lembro-me, por exemplo, da primeira vez que levámos os miúdos a um hotel local, para poderem usufruir da piscina e fazerem um piquenique. Os custos que tivemos nesta atividade que organizámos foram quase irrisórios, e ver a expressão das crianças ao entrar pela primeira vez numa piscina, a alegria, gratidão, felicidade e entusiasmo deles deu-me a mim e aos restantes voluntários um sentido de propósito, de missão cumprida, de alegria, como nunca hei-de esquecer. Poder viajar e conhecer certos locais no país da minha viagem de sonho também foi, como é óbvio, um dos pontos altos e mais felizes durante a minha estadia no Quénia.


Qual foi o momento mais marcante da viagem?
Acho que o momento mais marcante da viagem foi quando conheci um menino de 9 anos chamado Christopher. Ele tinha uma irmã gémea, a Christine, e com o tempo fui-me tornando muito próxima deles. Eles tiveram um início de vida bastante complicado e isso mexeu muito comigo. São filhos de pais separados e a mãe deles, tal como tinha feito a uma das suas filhas mais velhas, vendeu-os, quando ainda eram bebés, a uma família, sendo mais tarde apanhada pela polícia e os filhos entregues a ela de novo. Suspeita-se que ela seja prostituta e tenha levado já as filhas mais velhas para o mesmo caminho. É uma história muito dura de contar, mais difícil ainda de ouvir e não poder fazer nada, mas infelizmente a maioria das crianças com as quais tive contacto  têm todas histórias deste género. Estas duas crianças em especial marcaram-me muito, e sei que as recordarei para sempre.


Como se pode participar neste programa de voluntariado?
O projeto do qual fiz parte no Quénia chama-se Makuyu Education Initiative e basicamente é responsável por cuidar de 15 crianças, de ambos os sexos, com idades entre os 6 e os 12 anos, cujos pais, por falta de condições ou interesse, não têm como lhes garantir condições básicas de sobrevivência. O projeto funciona como uma casa de acolhimento, as crianças vão à escola, mas dormem, fazem os trabalhos de casa e as refeições na casa. Para saberem mais informações sobre o projeto, e como podem ajudar e/ou participar, basta aceder ao site da organização ou à página do facebook – Makuyu Education Initiative - e entrar em contacto com um dos administradores da página por mensagem privada – que normalmente é o criador do projeto, ou um dos antigos voluntários - que responderá a quaisquer questões, e ajudará em todo o processo. Não existem pré-requisitos específicos para poder participar, e são bem-vindas pessoas de todas as áreas de formação. Cada um dá ao projeto aquilo que achar que tem para oferecer. Relativamente às condições, e como já mencionado anteriormente, a organização garante ao voluntário pelo menos três refeições por dia – do mesmo tipo de comida que as crianças comem – e alojamento, que poderá ser partilhado, ou não, mediante o número de voluntários na casa, na altura que o voluntário se candidatar. Todas as outras despesas, como o bilhete de avião, transportes, gastos com passaporte e visto, vacinas, medicamentos e extras (ex: snacks, viagens pelo Quénia, estadias em hotéis), ficam a cargo do voluntário, a título pessoal.


Que tipo de atividades eram feitas durante o voluntariado?
As atividades que eram feitas durante o voluntariado dependiam muito do número de voluntários, da duração da sua estadia no Quénia e da sua área de formação. Durante a semana, as crianças passavam a maior parte do tempo na escola, pelo que os voluntários aproveitavam esse tempo, ora para tratar de coisas de foro pessoal (ex: lavar a roupa, tomar banho, levantar/trocar dinheiro, ir ao supermercado, ligar à família) ou para realizar tarefas  fora de casa (ex: criámos um crowdfunding que tínhamos de atualizar frequentemente, sendo que para isso precisávamos de nos deslocar até ao centro da cidade e ir para um hotel, para ter acesso à internet). Para além disso, podiam também aproveitar esse tempo para melhorar as infraestruturas da casa de acolhimento (pintar paredes, organizar a sala de estudos, limpar os quartos, recolher o lixo, ajudar na cozinha, etc). Ao fim de semana, ou quando as crianças chegavam da escola, tentávamos sempre passar o máximo de tempo com eles e fazer todo o tipo de atividades e brincadeiras, como trabalhos manuais ou ver filmes, por exemplo. Depois, mediante a área de cada voluntário, podíamos também dar-lhes aulas. Houve três voluntários, por exemplo, que o fizeram: um deu aulas de inglês, outra de matemática e informática e outra ainda de primeiros socorros. Uma coisa que também conseguimos foi, com algum do dinheiro do crowdfunding que fizemos, levar as crianças a ver os animais e à piscina. Foi a primeira vez, tanto numa situação quanto noutra e adoraram.


Se pudesse fazer mais alguma coisa por aquelas crianças, o que faria?
Apesar de estar de regresso a Portugal, continuo ligada ao projeto, embora de outra forma. Acho que o fundamental é garantir que o projeto continue, pois dele dependem 15 crianças e uma equipa local, composta por sete funcionários. Para isso, é preciso um grande apoio financeiro, que continue a financiar e a suportar os custos da casa de acolhimento, e isso só é possível através da divulgação constante do projeto, das experiências pessoais de cada voluntário, das atividades que são realizadas e dos objetivos que são alcançados. Assim sendo, o meu foco e o dos outros voluntários que já estiveram no Quénia - e o melhor que podemos fazer, tendo em conta os recursos que temos e o não estarmos no terreno - é o de dar a conhecer, promover e divulgar o Makuyu Education Initiative, quer junto de conhecidos e patrocinadores, quer das plataformas multimédia, na esperança de poder inspirar alguém a contribuir e fazer parte deste projeto, ora como voluntário, doando o seu tempo e boa vontade, ora como patrocinador. A título pessoal, e no caso dos gémeos, Christopher e Christine, que já mencionei há pouco, gostaria de um dia os poder adotar. Claro que o ideal, se pudesse, era adotar logo as 15 crianças de uma vez, mas infelizmente, não é possível.

Quando chegou lá o que a surpreendeu?

Acho que quando cheguei ao Quénia, e sendo a minha primeira vez num país africano, o que me surpreendeu mais não teve a ver com algo relacionado com o projeto de voluntariado do qual ia fazer parte, mas sim com o próprio país. Ao aterrar no Quénia, logo à chegada, e assim que pude ver os arredores de Nairobi, fiquei impressionada pelo clima ser tão semelhante a Portugal e por não existirem tantos animais como pensava que existiriam.


Houve alguma criança que a tenha marcado particularmente? Qual?

Como disse anteriormente, durante os três meses em que estive no Quénia, criei uma ligação muito forte com um casal de gémeos de 9 anos, o Christopher e a Christine, os quais gostaria de adotar um dia. Infelizmente, desde 2014, por falta de legislação sobre o assunto, o Quénia proibiu a adoção internacional, já que foi considerado um dos países de África, se não, o país, com maior tráfico de crianças. Ainda assim, mantenho viva a esperança de que um dia o panorama se altere, e com as condições certas, e se eles quiserem, os consiga adotar.


Por que razão decidiu fazer crowdfunding e para quê?
Em termos muito simples, e para quem não está familiarizado com o conceito, um crowdfunding é uma espécie de angariação de fundos que se faz através da internet, onde qualquer pessoa pode dar a conhecer uma ideia, causa ou projeto, estabelecer um objetivo financeiro a atingir, e tentar que esse objetivo seja cumprido, num período de tempo a definir por si, dando a conhecer essa mesma causa, problema ou projeto, aos demais – normalmente ao seu círculo de amigos, conhecidos e familiares – e pedindo-lhes que contribuam financeiramente com o que puderem, até que esse mesmo objetivo seja cumprido.

No caso do Makuyu Education Initiative, eu e a Isabel (uma outra voluntária do projeto vinda do Brasil), decidimos que o crowdfunding poderia ser uma boa aposta, pois havia muito que nós queríamos fazer pelas crianças da casa de acolhimento, sem que houvesse verba suficiente para tal. Deste modo, teríamos a verba de que necessitávamos, com a vantagem de que seríamos nós a gerir o dinheiro.


O que conseguiram comprar com os fundos angariados?
Em menos de três semanas, conseguimos angariar cerca de 1000 dólares, que era o nosso objetivo, através de doações de familiares, amigos e conhecidos, o que nos deu total liberdade para gerir o dinheiro, e consequentemente, gastá-lo naquilo que nos parecia mais urgente na altura: mandámos construir um estendal da roupa, fazer móveis novos para arrumar a roupa nos quartos das crianças, pintámos a casa, comprámos utensílios de cozinha, sapatos, uniformes para a escola, escovas de dentes, mochilas, material escolar, entre outros.


Quer deixar alguma mensagem aos leitores do Sinal?
Espero que, da mesma forma que fui inspirada por terceiros a experimentar o voluntariado, também eu tenha conseguido, através da minha experiência e relato pessoal, inspirar alguém a querer fazer o mesmo. O voluntariado tem como base a ajuda ao outro, mas, e sem que muitas vezes nos apercebamos, são os outros que acabam por nos ajudar. Valores como o respeito, a generosidade, a tolerância e compreensão são fundamentais para formar a base de qualquer indivíduo e experiências como esta são cada vez mais apreciadas e tidas em conta pelos empregadores da atualidade. Arrisquem, procurem saber, não se fiquem apenas pelo que os outros vos contam ou pelo que vocês acham que já sabem. Procurem ter uma mente aberta e ousar nas vossas escolhas enquanto ainda são jovens. Prometo que vão ganhar uma grande bagagem para a vossa vida, ter muitas histórias para contar e recordar e que não  irão arrepender-se.



Joaquim de Carvalho no Corta-Mato de São Julião


_MG_4308.JPGA Escola Joaquim de Carvalho voltou a marcar presença, no dia 11 de janeiro, no já tradicional Corta-Mato Escolar de São Julião, competição escolar organizada pela Junta de Freguesia de Buarcos e São Julião com o apoio da Câmara Municipal.
Este evento desportivo que concentrou 350 alunos de vários estabelecimentos de ensino do concelho da Figueira da Foz, deu alegria e cor ao Parque das Abadias numa manhã banhada pelo sol. 
Foram seis as provas que disputaram os 120 alunos da Escola inscritos, de acordo com os diferentes escalões etários. A Escola subiu ao pódio oito vezes, nos respetivos escalões, com:
- 1º lugar – Três premiados - Catarina Araújo, Matilde Sousa e Pedro Santos.
- 2º Lugar – Uma premiada - Ana Margarida Torres.
- 3º Lugar – Quatro premiados - Inês Marques, Henrique Sousa, Beatriz Barbosa e Ricardo Alves.
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De salientar que todos os alunos participantes tiveram uma prestação ética e desportiva irrepreensível, representando a escola ao mais alto nível.

Fotografias de Carlos Furtado
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Um Jantar de Natal diferente na Joaquim de Carvalho Presidente do Conselho Geral e Diretor “chefs” por um dia

Com tradição de várias décadas, nesta quadra a Joaquim de Carvalho organiza um jantar de Natal para todos os docentes e não docentes, sempre marcado pela boa disposição e pelo espírito de partilha natalícia.
Este ano, a novidade surgiu pela inspiração dos dirigentes máximos da Escola, Presidente do Conselho Geral e Diretor, respetivamente, Dr. João Santos e Dr. Carlos Santos, que vestiram o avental e, na pele de cozinheiros, confecionaram o menu da Ceia de Natal.
Com a colaboração de funcionários e professores aposentados, os “chefs” apresentaram, aos cerca de 100 convivas, uma ementa muito variada, apetitosa e rica, composta por entradas de sapateira, pataniscas de bacalhau, salada de polvo, seguidas de uma massada do mar e um lombo assado com maçãs e legumes salteados. Como sobremesa, além dos tradicionais bolo rei e arroz doce, outras iguarias docinhas compuseram a mesa. Tudo devidamente regado pelos indispensáveis néctares.

No final, após os motivadores discursos do Presidente do Conselho Geral e do Diretor, desejando a todos um ótimo Natal e um Feliz 2017, a animação continuou com canções e danças festivas. 

Joaquim de Carvalho e o Ranking 2016

Concelho - 1º lugar no 9º ano e 1º no secundário
Distrito – 3º lugar no 9º ano 3º no secundário

Divulgados os resultados do ranking das escolas de 2016, de novo fazemos a análise do posicionamento da Escola Joaquim de Carvalho no contexto concelhio, distrital e nacional.
De acordo com os dados do ranking do jornal Expresso, a Joaquim de Carvalho é, nos exames do 9º ano, com uma percentagem média global de 63.29%, a 24ª escola pública a nível nacional e 3ª a nível distrital. Nos exames do secundário, com uma média global de 11.96 valores, é a 14ª escola pública a nível nacional e 3ª a nível distrital. A nível concelhio ocupa o primeiro lugar nos dois níveis de ensino. São resultados que honram a escola, o concelho e o distrito.
Há a salientar que, no tocante aos resultados do secundário (exames de 11º e 12º anos), este estudo tem por base a totalidade dos exames efetuados, 717 exames: Biologia e Geologia (11º ano), Física e Química A (11º ano), Português (12º ano), Matemática (12º ano), Geografia A (11º ano), História A (12º ano), Filosofia (11º ano) e Matemática Aplicada às Ciências Sociais (11º ano), Geometria Descritiva A (11º ano), Matemática B (11º ano), História da Cultura e das Artes (11º ano), Alemão (11º ano) e Desenho A (12º ano).
Em pormenor, e agora de acordo com o jornal Público, analisando o estudo comparativo, por disciplina, entre os resultados da Escola e os nacionais (das escolas públicas), há a ressaltar que, no secundário, a Escola ocupa o 31º lugar a Matemática A, o 7º lugar a Física e Química A e o 94º a Biologia e Geologia, num universo de 437 escolas públicas.       
Saliente-se, finalmente, que estes resultados são fruto de um empenhamento conjugado de alunos, professores e encarregados de educação.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Encontro com o Dr. Pedrosa Veríssimo

Nascimento: 4 de setembro de 1915, freguesia do Paião



Sinal: Por favor, fale-nos um pouco de si.
Pedrosa Veríssimo: É uma honra estar na escola do Dr. Joaquim de Carvalho. É como uma casa para mim. Porquê? Eu fui aluno do Professor Joaquim de Carvalho na Faculdade de Letras de Coimbra e ele foi meu professor de História da Filosofia Antiga. Mais tarde, tive-o como Professor no Curso de Ciências Pedagógicas. Ele não fazia pergunta nenhuma aos alunos, limitava-se a dar a sua lição e, terminado o tempo que ele tinha determinado para a aula, dizia sempre "Meus senhores, a hora deu, amanhã continuamos!" (risos dos alunos). Foi um professor muito ilustre.



Sinal:  Durante quantos anos lecionou?
P.V.: Ora bem, a minha vida foi repartida entre Portugal e a França. Eu estava aqui há 10 anos a ensinar o Português e o Latim, quando fui convidado para ir ensinar a História da Civilização Portuguesa para a Universidade de Toulouse. O tempo que estive aqui foi relativamente pequeno, mas depois regressei a Portugal e vim terminar ainda uma meia dúzia de anos na Escola Dr. Joaquim de Carvalho. Durante o tempo em que eu estive em França, fui-me tornando professor efetivo em várias escolas. Quando fui para França, ainda era só professor auxiliar. Antigamente, havia categorias: professor agregado, que era um professor que já tinha a sua licenciatura e que era agregado, isto é, no caso de haver necessidade, ele era chamado para trabalhar. Eu tive a sorte de encontrar logo, no ano em que terminei a licenciatura, um lugar na Figueira da Foz, porque a professora que cá estava a ensinar não era efetiva, efetivou noutro liceu, e eu tive a sorte de ir ocupar o lugar dela. De agregado passei a professor auxiliar e depois a professor efetivo. E fui então chamado a ir para França, onde tive o prazer de ensinar durante 18 anos, quer dizer, ensinei tantos anos em Portugal como em França, ou seja, 36 anos, que era o tempo necessário para obter a reforma por completo. Era quanto se exigia nesse tempo.

Sinal:  Tem um escritor preferido?
Ora bem, o escritor preferido foi , indiscutivelmente, Eça de Queirós, que considero o grande mestre da língua portuguesa, mas há outros escritores que admiro. Privei-me dos meus livros, logo que me reformei, ofereci-os à Biblioteca Municipal, de maneira que o que tenho é aquilo que a memória pôde reter e conservei ainda de memória algumas poesias, algumas de autores mais antigos, outras até de um autor que era meu contemporâneo, o Doutor José Vitorino de Pina Martins, que foi meu amigo e usava o pseudónimo poético de Duarte de Montalegre. Lembro-me desta pequena poesia dele:

Quisera, meu amor, ser triste, triste
Como a tristeza múrmura da tarde
Quisera no sorriso que sorriste
receber a chama que brilha mas não arde.

E depois ficaria dado a tudo
e depois ficaria o que ficasse
o sol é vida, o firmamento é mudo
o sol beija as estrelas
Beija, e dá-se...

(palmas)


Sinal:  101 anos é uma vida cheia. Escolha as 3 palavras que melhor descrevem a sua vida.
P.V.: Amor, trabalho (hesitação...) e dedicação.

Sinal:  Qual a pessoa que mais o influenciou? Porquê?
P.V.: Ora bem, a pergunta presta-se a várias respostas. Posso dizer que a pessoa que mais me influenciou na minha vida foi a minha própria mulher. Deixei-me apaixonar por ela, ela apaixonou-se por mim. Acompanhou-me nos momentos bons da minha vida, que foram muitos, mesmo assim.

Sinal: Se tivesse de indicar um momento mais feliz da sua vida, qual seria?
P.V.: O momento mais feliz? É uma pergunta, cuja resposta é muito difícil, porque na vida há muitos momentos que se podem considerar felizes: um encontro com um amigo, uma ida a uma conferência, ... Nós temos um poder de adaptação tão grande, que acabamos por nos agradar de tudo.

Sinal: Como era ser adolescente no seu tempo? Como ocupava os seus tempos livres?
P.V.: Dependia muito das camadas sociais, eu nasci num meio onde não havia ninguém com estudos superiores e havia muita gente analfabeta. Não se esqueçam que tenho mais de 100 anos! De há 100 anos para cá tudo tem evolucionado muito. Hoje, é já um lugar onde há gente com licenciaturas, um lugar civilizado. Eu distingui-me pelo desejo de estudar, fiz a quarta classe na escola do Alqueidão, com o professor Casimiro de Oliveira e fui para o seminário de Coimbra. Tínhamos as brincadeiras juvenis, os jogos eram o mais simples que havia, o dinheiro nesse tempo era muito pouco e éramos nós quem fabricava os instrumentos de brinquedo para nos entretermos. O jogo da palmatória, o jogo da bilharda,  os jogos de que hoje ninguém fala, jogos que serviam de distração, serviam de convívio e de ocupação do tempo.

Sinal:  Quando e por que razão decidiu ser professor?
P.V.: A resposta é um bocadito diferente daquilo que seria de esperar. Eu decidi ser professor sobretudo de Latim. Estive seis anos no seminário em Coimbra, dominava perfeitamente o Latim e adquiri o gosto de ensinar a língua latina. E, claro, concomitantemente, havia o Português. A minha decisão foi de ensinar o Latim, o Latim é que é a língua-mãe da língua portuguesa. Não queria ser professor de Português, mas sim de Latim.

Sinal: O que mais lhe agradou na profissão que exerceu ao longo de tantos anos?
P.V.: Na minha vida profissional, o que mais me agradou foi o ter bons resultados nos exames dos alunos. Eu penso que nunca tive um aluno, apresentado por mim,  que tivesse ficado  reprovado. O meu maior prazer era eu próprio corrigir as provas escritas e distinguir os bons alunos. E tive alunos muitíssimo bons.

Sinal: Quer contar-nos uma situação curiosa ou divertida ocorrida durante uma aula.
P.V.: Não houve nenhuma em especial, as minhas aulas eram todas sérias, não havia brincadeira. Dava sempre um carácter de seriedade e usava o método expositivo.

Sinal: Também foi autarca? Em que época? Que funções exerceu?
P.V.: Fui essencialmente professor, profissão que adotei com muito amor. Fui vereador da Câmara durante um mandato e depois tive, não digo a sorte e não diria também a infelicidade, deu-se a circunstância de ter de aceitar o lugar de Presidente da Câmara. Estava a exercer o meu cargo, que não exerci até ao fim do mandato, porque um dia recebi na Câmara da Figueira um grupo de pessoas da freguesia do Paião, as pessoas mais representativas da freguesia, que foram ter comigo para eu os ajudar. Quando foi criada a freguesia do Alqueidão, foi primeiramente criada somente a freguesia civil. E o Senhor Bispo de Coimbra só autorizou que fosse criada a freguesia religiosa quando o Alqueidão tivesse uma igreja. Exigiu que fosse feita uma igreja. A igreja foi feita e depois quando foi a criação da freguesia religiosa os habitantes do Alqueidão reivindicavam uma pequena parte que tinha continuado a pertencer à freguesia do Paião e que eles entendiam que devia pertencer ao Alqueidão. Eu tinha prometido o apoio aos paionensenses, mas verifiquei que os do Alqueidão tinham muita razão para quererem aquilo. Era ali  a estrada principal e havia uma capelinha no Casal Verde, um pequeno núcleo de casas que continuara a pertencer ao Paião. Ora eu tinha prometido apoio aos paionenses e, para que não se desse essa circunstância, resolvi pedir a suspensão.

Sinal: Sabemos que teve influência na implantação do edifício da nossa escola nesta localização.
P.V.: Que alternativas havia e o que o levou a defender a opção que vingou?
Eu não tinha escolhido este lugar, a pensar no sacrifício dos alunos. Muitos alunos vinham à escola de comboio, outros vinham de camioneta e eu entendia que os alunos deviam ser beneficiados com uma distância menor. E realmente o lugar que eu achava razoável para instalar o Liceu era o lugar onde está a Biblioteca Municipal. Mas eu aí não tinha o terreno disponível para ser uma escola com tudo o que era necessário, não havia espaço para isso. Eu tive de aceitar.

Sinal: Gosta de viajar? quais os lugares que mais gostou de conhecer?
P.V.: Eu não tinha meios económicos que me permitissem grandes ambições em viajar. Mesmo assim, ainda fiz algumas viagens. Eu e a minha mulher viajámos, participei em excursões organizadas, porque isoladamente não podemos obter os conhecimentos como quando vamos e alguém nos ajuda.

Sinal: Deixe uma mensagem aos leitores do Sinal.
P.V.: A mensagem que vos posso deixar é a de que procurem sempre ser ativos, diligentes, com amor ao trabalho, com amor à profissão que porventura venham a ter e que procurem triunfar na vida. Esse é o desejo que eu faço e que desejo que se realize.


Os meus votos para que esta escola continue a brilhar, a ter muitos bons alunos.

Bernardo Francisco, 8ºA
Carlota Conceição, 9ºC
Ema Caldeira,7ºA
Filipa Miranda, 7ºA
Lola Venâncio, 7ºA
Mafalda Mateus, 8ºB
Tiago Gomes, 9ºC

Concurso Nacional de Leitura - Primeira Fase à Porta


A primeira fase do Concurso Nacional de Leitura realizar-se-á, na nossa escola,  no dia onze de janeiro às quinze horas.  
Este ano, os alunos do 3º Ciclo são convidados a ler a obra Vamos comprar um poeta de Afonso Cruz e os do Secundário, Jesus Cristo bebia cerveja, um romance igualmente de Afonso Cruz..
Nesta primeira fase, serão apurados seis finalistas - três do 3º Ciclo e  três do Ensino Secundário - que irão representar-nos na fase distrital. Entretanto serão contemplados com um cheque oferta para aquisição de uma nova leitura!

 Participa!!!



Ema Caldeira, 7ºA

Filipa Miranda,  7ºA
Maria Moço, 7ºA