sexta-feira, 27 de abril de 2012

Nós, Os Passageiros


O grande navio-escola de Portugal mostrava-se a entrar pelo Tejo, ostentando ainda, pelo simbolismo histórico, o orgulho português em amplas cruzes encarnadas, cravadas em velas altas de pano branco, impondo-se, esguio e sólido, ao cortar as águas, como a terceira geração do Sagres.
Chegados à Base Naval do Alfeite, no dia 4 de abril, onde o navio atracou laboriosamente, findando a viagem de 20 horas pela costa portuguesa, tínhamos, por essa altura, para além do almoço na Escola Naval, ainda duas visitas pela frente: ao Museu da Marinha e ao Planetário. No primeiro, pudemos reviver as experiências a bordo do Sagres, com espanto e interesse, nos modelos artesanais expostos de caravelas e corsários dos séculos XV e posteriores, nos mapas das rotas dos Descobrimentos e nas pinturas e quadros da vida marítima. No outro, pudemos descansar e desfrutar de uma segunda noite de estrelas no mesmo dia, enquanto decifrávamos constelações e reforçávamos o nosso conhecimento sobre os astros e a origem do Universo, com exceção para aqueles que, bons alunos, já sabiam mais do que o que ouviam e puderam, literalmente, só olhar o céu estrelado e refletir.
Para trás, na viagem, haviam ficado as nossas casas, das quais nos despedimos sabendo que iríamos voltar, e todas as pessoas que acorreram, já saudosas, à margem do rio, no porto e nos molhes, para nos acenar até ao último segundo. Caso alguém não soubesse o que ali se passava, pensaria, ao ver tanta gente, tanta agitação e tão belo barco, que partíamos para nunca mais regressar.
A muitos, o barco conseguiu elevar as expectativas. E não se ficou por aí, porque nos provou mesmo como é a vida de marinheiro… Se não a experienciámos por se ter passado tudo num só dia, vimo-la sim no rosto e hábitos da tripulação. Só por si, cento e quarenta homens e mulheres. Connosco, excecionais passageiros, o total rondava os duzentos. Apesar de serem tantos os da tripulação, havia ainda alguns de nós que faziam questão de tomar a sua parte no esforço de içar as velas, puxar os cabos ou enrolá-los, submetendo-se às ordens dos superiores que, bem vistas as coisas, em relação a nós, o eram todos.
Assistimos ao espetáculo, insólito e inesperado para alguns, e decerto comovente para qualquer um, de sermos recebidos no oceano, que outrora havíamos julgado nosso, por inúmeros golfinhos entrecruzando-se, serpenteando o navio e mostrando-se em saltos graciosos e em rasantes à superfície. Então, erguendo os olhos, a costa vislumbrava-se ao longe como uma faixa montanhosa no horizonte.
Já nos íamos habituando ao balançar exagerado do barco durante a tarde do dia três, enquanto observávamos a conduta da tripulação, as funções de cada posto e as relações entre camaradas iguais e, esta visivelmente mais autoritária, entre o mestre do navio, os chefes de cada secção e os seus inferiores hierárquicos. Um exercício de simulação veio despertar a curiosidade dos que estavam no convés e, para júbilo, ouviram ser dado o alerta de “ Homem ao mar!” e viram a preparação do barco salva-vidas sob rigorosa e cronometrada avaliação do mestre que, dada a temperatura da água, estimava a sua sobrevivência em seis horas. Superados alguns contratempos, ao fim de 15 minutos, foi salvo e trazido para bordo o náufrago “consciente e orientado”, que afinal era um boneco de tamanho real.
A nós, concederam-nos os dormitórios dos cadetes e o respetivo refeitório, onde o jantar e o pequeno-almoço foram servidos com generosidade pelos cozinheiros.
Depois da estadia noturna no exterior, até pouco depois das nove horas, e das habituais conversas animadas, que antecedem o sono, a noite nos dormitórios foi uma tormenta para a maioria. O embalar agudo do barco, o bater das portas metálicas dos cacifos, o incessante e lento ranger das camas e a insuficiência de comprimento das mesmas fizeram daquela uma longa noite de vigília entre ruídos e escuridão. Os 75 anos do navio notavam-se ali. Estranhamente, o som da trompete, às sete da alvorada para nos fazer erguer, não chegou a ser um alívio. Passados os humores matinais, a situação tornou-se, como se havia de esperar, motivo para risos ou, pelo menos, para sorrisos.
Todo o sono se dissipou quando, nessa manhã, subimos ao mastro em grupos, já no rio Tejo do nosso Portugal. Era lá que este navio fazia parar os outros, grandes e pequenos, em admiração, em contemplação da imponência e simplicidade do navio-escola de velas desfraldadas e redondas pelo vento. Lá no alto, no cimo do mastro, o maior de todo aquele rio, pudemos dizer:
- Terra à vista!
Estaríamos de regresso a casa daí a seis horas. Com saudade ou sem ela, trouxemos do mar uma experiência para contar e relembrar.
Daniel Marques e Edgar Silva, 12ºA

sábado, 7 de abril de 2012




Não percam dia 7 de Abril na RTP1 às 19h. 
beijinhos e abraços . 


Filme de Bruno Lucas, entre outros, ex-aluno de Artes desta escola.

quinta-feira, 29 de março de 2012

DELF scolaire 2012

A nossa escola vai, pela primeira vez, proporcionar aos seus alunos a realização do DELF scolaire, nos dias 14 e 15 de maio.

O DELF é um Diploma de Estudos em Língua Francesa emitido pelo Ministério Francês da Educação e reconhecido no mundo inteiro. A aplicação do exame para obtenção do respetivo diploma oficial, em Portugal, está a cargo da Alliance Française. O DELF scolaire destina-se apenas ao público escolar, devendo a inscrição dos alunos ser feita através da respetiva escola.

Este diploma certifica as competências dos alunos dos ensinos básico e secundário a nível das compreensões oral e escrita e das produções oral e escrita, ao nível do quadro europeu comum de referência para as línguas da União Europeia, nos primeiros 4 níveis de dificuldade da língua francesa (A1, A2, B1, B2). O exame é constituído por uma prova escrita coletiva e uma prova oral individual, de acordo com o nível a que o aluno se pretende candidatar.

Este diploma destina-se aos alunos que pretendem certificar internacionalmente as suas competências em língua francesa e/ou que queiram enriquecer o seu currículo. A certificação DELF é uma mais-valia para o curriculum vitae dos alunos que pretendam candidatar-se a um estágio ou a um emprego em que a língua francesa seja requerida, pois é um diploma reconhecido internacionalmente, nomeadamente pelas universidades francesas (onde são exigidos os níveis B1 e B2), empresas francesas, multinacionais e até empresas nacionais, que também selecionam currículos pelo domínio de línguas estrangeiras dos seus candidatos.

A informação foi divulgada pelos professores de francês, nas aulas, projetada em espaço escolar comum e publicada na página da escola (http://www.esjcff.pt/home.html ). Os alunos foram unânimes em considerar que num mundo cada vez mais competitivo, e perante o relevo que a França assume na conjuntura económica atual, esta é uma oportunidade de enriquecimento pessoal e do currículo que deve ser valorizada. Todos reconhecem a importância do papel da escola na orientação dos seus alunos para o sucesso.

A adesão dos alunos na nossa escola ultrapassou as expectativas, atingindo as 48 inscrições (37 para o nível A1, 10 para o nível A2 e 1 para o nível B1). Dado o elevado número de participantes, a escola disponibilizou-se para receber nas suas instalações a aplicação do exame, para maior conveniência dos seus alunos.

O programa de Francês e as aulas desta disciplina preparam naturalmente os alunos para este efeito. No entanto, uma vez que esta é uma situação nova na escola, ao longo dos meses de abril e maio, haverá aulas de preparação (extra) para estes exames, na sala polivalente da Biblioteca, às terças e quartas das 13h50 às 14h25.

Bonne chance!

Profª Teresa Rosa